ORIXÁS – CULTOS ÀS FORÇAS DA NATUREZA

ORIXÁS – CULTOS ÀS FORÇAS DA NATUREZA

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O culto aos Orixás remete a uma ancestralidade de milênios, onde os africanos, como até os nossos dias atuais ainda o fazem, rendiam homenagens aos poderes presentes na Natureza, e por ela responsáveis.

De maneira simplista se deu a classificação ao Orixá de “o ancestral divinizado”, o que não deixa de estar, em certo sentido, correto. Todavia, o Orixá, esta superpotência cósmica, é algo muito mais abrangente, dado que são, na realidade, forças universais que influenciaram a formação geológica do planeta e o surgimento da vida neste, imantando sua força nos diversos reinos que se manifestaram desde então, a tal ponto que se diz correntemente que tal ou qual reino não é presidido ou governado por determinado Orixá, mas que este é “o próprio reino que governa”.

Com o começo da exportação de cativos africanos às Américas, sua cultura, em todos os aspectos que se apresentavam, viajava com aqueles e, mais cedo ou mais tarde, se manifestava, mesclando-se com as culturas dominantes e formando um novo pólo cultural nas novas terras que os acolhiam.

Assim, no Sul dos EUA, que manteve o sistema escravagista por mais tempo do que o Norte viu-se nascer a música Soul, o Jazz, o carnaval de New Orleans e, ainda hoje, as práticas vodu, levadas para lá pelos africanos que auxiliaram na     formação do país.

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As terras brasileiras, que ao longo de seus aproximadamente 400 anos de escravidão receberam em torno de 6.000.000 de cativos africanos, tiveram o privilégio de amalgamar tantos pontos da cultura musical, culinária, idiomática e religiosa de origem africana que, atualmente, temos hábitos que na própria terra de origem, a África, já não existem mais.

A cultura religiosa foi uma das que mais marcaram a nascente sociedade brasileira e, hodiernamente, uma que registra mais vivamente a presença da África no Brasil, e isso demonstra o crescimento dos cultos de matriz africana inclusive em Estados brasileiros tidos como “europeizados”, como o Rio Grande do Sul, onde se situa a cidade brasileira com maior número de Ilês de religião africana do país, a cidade de Alvorada, região metropolitana de Porto Alegre.

Quando viajavam nos horrendos porões dos tumbeiros, arrancados de suas famílias e comunidades em razias de captação de escravos ou em virtude de guerras tribais, vendidos como mercadoria em pontos de embarque de escravos, marcados a ferro como gado, desprovidos de tudo, inclusive de sua condição de seres humanos, pois o escravo “não era humano até que fosse batizado e ganhasse pela bondade de seus senhores e da Santa e Madre Igreja Católica Apostólica Romana uma alma” que o faria, após o descesso físico, apto a ingressar no reino de Deus, o escravo trazia no âmago de seu ser, no entanto, o culto aos seus Orixás, ou Voduns (a denominação dependia da região de onde provinha o cativo) que somavam em torno de 400, inicialmente. Com o passar dos séculos, dado as associações entre as diversas nações aqui presentes, cada uma com suas características de culto específico, terminou por haver uma sintetização em 16 Orixás principais no Candomblé e 12 no Batuque do Sul. Não estamos levando em conta aqui, dado que este texto tem por finalidade a de ser apenas expositivo de forma sintética, os cultos dos Xangôs de Recife/PE, o Tambor de Minas do Maranhão, também chamado de Querebentan de Zomadonú, culto daomeano com características sui generis e pouco difundido em outros Estados do Brasil, além do misterioso e oculto ritual dedicado aos Babás-Egun, na ilha de Itaparica, na Bahia. Pode-se ainda, citar a Santeria de Cuba, que se assemelha sobremodo ao nosso Candomblé e o Vodu haitiano, que louva forças quase idênticas àquelas cultuadas no Tambor de Minas, os Voduns ancestrais.

Cada região da África, e por conseqüência os cultos afro brasileiros, dão nomes aos seus deuses de acordo com suas tradições, havendo entre eles uma correlação extremamente grande. Assim, temos, exemplificando, Heviossô, no Vodú e no tambor de Minas, sendo chamado de Xangô no Candomblé e no Batuque; Sakpatá, no Daomé, sendo Obaluaiê ou Omulú no Candomblé, Xapanã no Batuque e Babalú na Santeria cubana; ou o Ifá do Candomblé, Orixá ao qual não se faz feitura de filhos, sendo cultuado no Batuque do Sul como uma “qualidade” de Oxalá, chamado de Orumiláia, porém com as características daquele, ou seja, a de prover a visão divinatória dos búzios, ou ofás, aos babalorixás que o consultam.

Para que houvesse o ocultamente necessário de seus deuses e de seus cultos aos representantes do clero, hegemônicos na sociedade portuguesa e brasileira escravista, os africanos e seus descendentes nascidos em solo sul americano, criaram a sincretização destes com os santos da liturgia católica, como forma de, sob a aparência de estarem louvando os deuses dos brancos, na verdade prestarem honras à suas divindades ancestrais. O termo “santo do pau oco”, que designa alguém que finge ser o que na verdade não é, tem nas ações dos escravos uma de suas origens, pois em virtude da maioria das estatuetas dos santos da época serem confeccionadas de madeira esculpida, os negros cavavam nesta uma abertura oculta, dentro da qual colocavam um ocutá, a pedra sagrada de forma própria para cada Orixá, devidamente preparada, transformando aquele objeto de culto cristão em um assentamento sagrado. Ao se curvarem perante a imagem do santo católico afetando uma devoção que não sentiam, estava na verdade, louvando o Orixá, poder vivo da Natureza que vibrava no Ocutá ali inserido.

Dentro deste sincretismo afro brasileiro podemos destacar os Orixás que se seguem:

EXÚ – No RS, é sincretizado com Santo Antonio e São Benedito. No Candomblé, não há sincretismo para este Orixá.

OGUM – São Jorge. No Candomblé, sincretizado com Santo Antonio.

IANSÃ – Santa Bárbara.

XANGÔ – São Jerônimo, São João, São Miguel Arcanjo, São João Batista (dependendo da “passagem” do orixá, ou seja, sua manifestação mais “jovem” ou mais “idosa”, assim como a que culto se refira).

OXÓSSI – São Sebastião. No Candomblé, São Jorge.

OTIM – Santa Bernadete

OBÁ – Santa Catarina ou Santa Joana D’Arc.

OSSANHA – Santo Expedito, São Judas Tadeu ou São Francisco de Assis.

OBALUAIÊ ou OMULU – São Lázaro, São Roque ou Senhor dos Passos (este último, somente no Batuque sulista).

OXUM – N. Sra. da Conceição, N. Sra. das Graças, N. Sra. Aparecida, N. Sra. das Candeias, N. Sra. de Lourdes.

IEMANJÁ – N. Sra. Dos Navegantes.

OXALÁ – Jesus Cristo.

NANÃ BURUQUÊ – Santa Ana (a avó de Jesus, mãe de Maria, e a representação do mais velho dos Orixás).

OXUM MARÊ – São Bartolomeu. Este orixá somente é cultuado no Candomblé.

Podemos ainda registrar três Orixás, aos quais não se presta culto no Batuque do RS, apenas no Candomblé, que seriam LOGUN EDÉ, EWÁ e IRÔCO, sendo que Ewá raramente apresenta filhos, e Irôco, ainda mais raramente, sendo que, creio particularmente, não há mais feitura de filhos para este Orixá no Brasil.

Logun Edé é um Orixá metá-metá, assim como Oxum Marê, ou seja, seis meses se apresenta na forma masculinizada e seis meses do ano, como um ser feminino. É filho de Oxossi e Oxum e “responde” por seis meses nas matas e seis meses nos rios.

Em virtude, novamente queremos frisar, da rápida explanação que queríamos apresentar sobre o tema, encerraremos aqui o texto sobre os Orixás. Em tempo futuro, retomaremos o assunto, acessando novas informações sobre este ancestral e belíssimo culto às forças vivas da NATUREZA.

Orixá lubô sú fuô – QUE OS ORIXÁS SEJAM COM OS TODOS.

Fonte: Amigo Ricardo